Páginas

22.7.13

A Diferença de Ferida e Dor

Certos sentimentos são tão confusos que nos fazem querer abandonar o próprio corpo em busca de algo que, ao menos, estanque a dor. Não é necessário nem que ela cesse, mas que se torne impermeável,  de modo que saberemos que ela está ali, mas como está lacrada, nos impede de senti-la. Muitas vezes nos enganamos com esse isolamento, forçamo-nos tanto a ignora-la que realmente acreditamos que não dói mais, e com isso, descobrimos que quando a "ficha cai" a dor volta com mais intensidade.

Eu me lacrei, por muito tempo, dos meus sentimentos e, até mesmo, da minha própria razão. Com o passar do tempo, senti que aquelas fisgadas repentinas que apareciam de vez quando no estômago eram, na verdade, algo que me lembrasse que estava doendo e que era necessário deixar doer, deixar algumas lágrimas caírem de vez quando ao invés de botar um sorriso nos lábios e dizer ao mundo todo e inclusive a mim mesma que estava tudo bem quando a situação era totalmente contrária.

Não precisei de fórmulas decoradas para descobrir que a dor precisa ser vivida, mas talvez aquela música, a série e os filmes tenham ajudado, talvez meu inconsciente tenha juntado cada pedacinho das palavras reconfortantes que ouvi e as fragmentou em uma única ideia. Foi por mim mesma que descobri que existem certas coisas na vida que serão permanentes, mas que é necessário erguer a cabeça e chacoalhar um pouco o corpo para que ele espante males.

Me feriu, mas a ferida, diferente da dor, é algo que estanca; o que sobra são consequências de histórias de amor mal resolvidas. A dor é o que sempre me trará você. Não é mais de feridas que estamos falando, mas de dores. É dor que sinto. E sabe o que se faz quando dói? Se enfrenta, chora, anestesia-se, e ai, quando menos se espera, passa! Elas vêm e vão. É aguentar firme e nunca, em espécie alguma, deixar que ela a domine, e essa é a parte mais difícil. Impedir que a dor ultrapasse o corpo e machuque a alma.

4 comentários: