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23.3.14

A raridade de se ter amigos

Lembro-me de viver rodeada de amigos durante a infância, as brincadeiras eram contantes, as risadas gostosas, as brigas quase inexistentes, mas quando existiam não eram sérias e um pedido sincero de desculpas bastava para resolver a situação. Não havia orgulho, rancor, ou qualquer outro sentimento ruim que os anos nos ensinam a sentir. Eu tinha o pensamento ingênuo de acreditar que seria sempre daquela forma. Ignorei os avisos que minha mãe sempre deu: "aprende que amigo é um ou dois" e cresci confiante que tinha mais amigos do que os dedos das mãos eram capazes de contar.

Tal número foi reduzindo com o passar do tempo. As intrigas foram chegando e cegando, traições, inveja, brincadeiras sem qualquer graça que faziam a maioria sorrir começaram a machucar. E aí, as brigas começaram a surgir, mas o orgulho e o ego grande demais, impediram reconciliações. Comecei a querer passar mais tempo sozinha. Na minha cabeça, os filmes, livros e minhas músicas se tornaram melhores companhias do que as pessoas que cresceram ao meu lado. Quase ninguém notou minha ausência.

Os amigos eram amigos nas festas, na hora de se reunir para ir falar com o diretor. Eram amigos para pedir dinheiro emprestado, para atualizar os outros sobre a mais nova fofoca da escola e para aumentar a turma de saídas no fim de semana. Eram amigos na hora de aprontar, mas cada um por si na hora de assumir. Todos os tais amigos sumiam nas horas difíceis, todos corriam quando se precisava de ajuda para estudar matemática ou decorar qualquer maldita fórmula de física. Quase nenhum se preocupava em colocar um sorriso no meu rosto, mas vinham correndo quando me viam chorar, e o pior, era apenas por curiosidade.

As palavras que minha mãe me dizia desde pequena começaram a fazer sentido, e de repente, os dedos que me faltavam para contar os amigos começaram a sobrar, e sobraram tanto que hoje, uso apenas dois. Por mais triste que seja, uma hora ou outra se aprende que não se pode confiar em todo mundo e que duas pessoas maravilhosas valem mais que vinte outras que não se importam com você. Acredite quando quando te disserem que amigo é coisa rara e dê o máximo de valor que puder. Cuide de seus amigos como se fossem tesouros, porque afinal, eles são mesmo, e os guarde dentro de você, em um lugar protegido de toda a maldade que existe. Tenha colegas, saia, sorria e se divirta, mas tenha consciência de que  amigo, é mesmo um ou dois.

4 comentários:

  1. Que lindo seu texto, amei mesmo. Tu escreveu super bem e falou toda a verdade. No começo sempre achamos que todas as pessoas que estão ao nosso redor são nossos amigos, mas nas horas dificeis, geral desaparece. Mas dificil ainda é achar quem está com a gente em todas as horas, pessoas com quem você pode contar de verdade. Eu passei minha vida toda querendo ser a querida, e no fim, eu só quis ficar longe de todos.
    Beijão!

    coldcoffe-e.blogspot.com.br

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    1. Super obrigada, Cal! A realidade é mesmo essa, mas a solidão não é a respostas, tem sempre alguém em quem você pode confiar, você só precisa saber quem é!
      Beijo <3

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  2. Eu sempre pensei assim mesmo por que, eu via as atitudes dos que se diziam meus amigos. Então eu sempre coloquei na balança aqueles que realmente são os amigos tenho poucos mais valem por um milhão!

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